Num mundo onde a fome prevalece, falar que a Obesidade é uma epidemia, parece um paradoxo. Mas a sociedade moderna paga um alto preço pela prerrogativa de conviver com a tecnologia pois acomodou-se ao convívio do automóvel, do elevador, do controle remoto, dos sofisticados eletrodomésticos e até dos aparelhos de “ginástica passiva”. Tudo em nome do conforto e da praticidade em detrimento da atividade física.
A Obesidade está associada ao comportamento sedentário, à dietas ricas em gorduras e carboidratos e à compulsão pela comida. Por tudo isso a Obesidade vem se tornando um sério problema de saúde pública e está intimamente ligada ao aumento da mortalidade em pessoas entre 20 e 40 anos quando comparadas aos indivíduos não obesos na mesma faixa etária.
De acordo com dados da Universidade de São Paulo (USP), 40% dos brasileiros já apresentam sobrepeso, sendo que 20% destes são obesos.
O indivíduo é considerado com sobrepeso quando apresenta Índice de Massa Corpórea (IMC) maior que 25. Esta fórmula calcula-se utilizando-se o peso em Kg divido pelo quadrado da altura em metros. Por exemplo: Indivíduo que pesa 78 Kg e mede 1,60 m: IMC=[78:(1,60X2)], IMC=26.
Os indivíduos nos quais este índice ultrapassa 30 já são considerados obesos!
Perigos da obesidade para a Qualidade de Vida
A Obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças como diabetes tipo II, hipercolesterolemia e distúrbios cardiovasculares.
O indivíduo obeso tem 3 vezes mais possibilidade de desenvolver doenças cardiovasculares como aterosclerose coronariana.
O diabetes tipo II é responsável por 90 a 95% de todos os casos diagnosticados de diabetes, sendo que 67% destes casos apresentam Obesidade mórbida (IMC de 30 Kg/m2) mostrando relação entre obesidade e diabetes.
Estudos específicos mostram que a gordura intra-abdominal é o principal local de armazenamento de gordura responsável pela resistência à insulina. Os indivíduos com gordura de distribuição superior (pescoço, ombros e abdome) apresentam maior risco para desenvolvimento de diabetes, hipercolesterolemia, hipertensão arterial e doença cardiovascular. A circunferência abdominal é considerada uma medida antropométrica fidedigna para avaliar a quantidade de gordura visceral.
A Qualidade de Vida do obeso começa a decrescer por vários fatores: dificuldade de exercer tarefas simples, o cansaço que se instala, a auto-estima que fica muito afetada, as roupas precisam ser cada vez mais largas. O desenvolvimento de doenças como as já citadas, que acabam trazendo ao obeso os infortúnios da incapacidade e das limitações físicas, que culminam com a depressão.
Emagrecer e manter-se magro não é tarefa fácil, já que a Obesidade é um estado mórbido multifatorial. Tudo depende do indivíduo e da sua vontade e determinação em emagrecer.
Não existem dietas milagrosas que fazem emagrecer rápido sem prejuízo à saúde. Não adianta emagrecer e depois engordar de novo!
Remédios? existem vários de todos os tipos, de todos os preços e só devem ser utilizados sob orientação médica, mesmo os ditos “naturais”. São úteis no combate de urgência à Obesidade mórbida, severa, mas todos apresentam efeitos colaterais indesejáveis e até mesmo prejudiciais se não controlados pelo Médico.
A cirurgia bariátrica para Obesidade tem indicações específicas e não é isenta de riscos.
O ideal é uma reflexão sobre os hábitos de vida e de alimentação de cada um. A reeducação alimentar é o segredo do emagrecimento e manutenção do peso ideal. Para isso são necessárias medidas radicais que já começam nas compras dos alimentos no supermercado, passando pelo seu estilo de preparo em casa, na cozinha, e terminam na mesa na hora do consumo por quem quer emagrecer.
“Pensar magro”, evitar excessos, combater o sedentarismo e manter um auto controle do apetite são um bom começo para quem quer dizer “NÃO À OBESIDADE” e desfrutar de longevidade com boa Qualidade de Vida.